A Utilização da Corrente Galvânica no Tratamento de Hiperidrose Primária


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Transpirar é necessário para regulação da temperatura corpórea quando o mesmo se apresenta com temperatura acima do normal, sendo a sua produção controlada pelo sistema nervoso autônomo simpático. A hiperatividade das glândulas sudoríparas écrinas leva à transpiração excessiva, principalmente nas regiões plantar, axilar e palmar, sendo essa condição conhecida como hiperidrose. Trata-se de uma afecção benigna que pode ser de origem primária (sem causa conhecida) ou secundária, associada à obesidade, menopausa, drogas antidepressivas e álcool.
A hiperidrose se localiza preferencialmente nas axilas, palmas das mãos, plantas dos pés e face. Estima-se que afete de 0,6 a 1,0% da população, geralmente em adultos jovens, manifestando-se na no início da adolescência ou até mesmo na infância, onde a história familiar é positiva em 30 a 50% dos pacientes, não ocorrendo durante o sono. A hiperidrose focal localizada está associada à considerável morbidade, incluindo maceração da pele, infecções cutâneas bacterianas e fúngicas secundárias. No entanto, a característica desta doença é o intenso desconforto do paciente, comprometendo sua vida social, afetiva e profissional (STOLMAN, 1998; DIAS, 2001; BROIOLO et al., 2006; MONTESSI et al., 2007). Nesse contexto, Ro et al. (2002) concluíram que "Hiperidrose primária palmar é uma desordem hereditária, com prevalência variável, e sem prova de transmissão ligada ao sexo".
O suor em excesso é associado à angústia emocional, profissional e social, já que interfere nas atividades diárias das pessoas acometidas. Esses pacientes sentem-se constrangidos em cumprimentar outras pessoas por meio de aperto de mãos e têm a necessidade de trocar as roupas duas ou mais vezes por dia devido à umidade. Constitui-se em uma disfunção glandular, com o sintoma principal de sudorese excessiva. Esta disfunção, geralmente, é diagnosticada pelo especialista como sendo de "fundo emocional". Certamente, existem pessoas que apresentam causas fisiológicas para o sintoma da hiperidrose; contudo, nestas também o nível de aumento da sudorese é, diretamente, relacionado a fatores emocionais ou psicológicos (COLACITI, 2006; DORNELAS et al., 2008; CARDOSO et al., 2009).
No atual tratamento cirúrgico da hiperidrose localizada, a simpatectomia torácica tem apresentado excelentes resultados, mas, na maioria das vezes, ocorre uma sudorese compensatória em pequena intensidade.Entretanto, o efeito colateral que mais causa arrependimento e desconforto ao paciente é a hiperidrose reflexa (HHR) intensa ou hiperidrose compensatória (HHC), que ocorre no pós-operatório da cirurgia de simpatectomia torácica, sendo caracterizada por sudorese de graus variados, de leve ao suor excessivo, geralmente simétrica, que geralmente acomete as regiões do corpo que não foram simpatectomizadas cirurgicamente e que previamente não apresentavam sudorese anormal, como na região dorsal, no abdome e algumas vezes nos membros inferiores (BARRICHELLO et al., 2007; LYRA et al., 2008).
A transpiração reflexa ou compensatória, em alguns casos, vem a representar importante incômodo como resultado da simpatectomia, assumindo importância e intensidade tão elevadas, que muitos pacientes tornaram-se arrependidos de terem-se submetido à cirurgia. Como conseqüência, a transpiração compensatória passou a ser considerada o marcador de qualidade desse tipo de tratamento (ARAUJO, 2008).
A corrente galvânica também denominada de corrente contínua, define-se como aquela em que o movimento das cargas de mesmo sinal se desloca no mesmo sentido, com uma intensidade fixa. A aplicação desta corrente pode ser dividida em: galvanização propriamente dita e iontoforese (ionização). A galvanização é o uso dessa corrente, utilizando exclusivamente os efeitos polares (que se manifestam unicamente sob os eletrodos) por ele promovidos, já a iontoforese ou ionização, é a penetração de substâncias no organismo, por meio de uma corrente galvânica, que é a que melhor possibilita a migração iônica da substância a ser aplicada pela sua emissão constante e unidirecional do fluxo elétrico. Utilizando no material intermediário uma solução eletrolítica comum como água (BAENA, 2003; IBRAMED, 2006; CUNHA et al., 2007; SCHROEDER, 2008).
É uma corrente de baixa freqüência, com fluxo de elétrons constante sem interrupção nem variação de intensidade na unidade de tempo (MACHADO, 1991). A hiperemia é mais intensa no cátodo, aparecendo como edema, já no ânodo origina um aplanamento da pele.Ocorrem hiperestesias no ânodo e hipoestesias no cátodo A narcose galvânica se dá ao colocar o ânodo em posição cefálica e o cátodo na periferia que produz uma corrente descendente que desencadeia este efeito. Excitação espástica é um efeito inverso ao anterior. A vasodilatação ocorre devido a hiperemia ativa prolongada que ocasiona uma reatividade vasomotora. Tem efeitos: bactericida, antiinflamatória, analgésica, tonificação muscular (GUTMANN, 1991).
Esse estudo visa analisar os efeitos da corrente galvânica em pacientes que apresentam Hiperidrose Primária e a melhora da qualidade de vida desses pacientes relacionado com o constrangimento causado pelo excesso de suor, pelas repetidas trocas de roupas e o que mudou na sua vida pessoal, afetiva e profissional sem que para isso haja necessidade da realização da cirurgia de simpatectomia evitando assim efeitos colaterais decorrente do procedimento.

 

Materiais e Métodos

Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da Faculdade Maurício de Nassau, sob o protocolo n° 294106.
O presente estudo foi realizado na Clínica Escola de Fisioterapia da Faculdade Maurício de Nassau, no período de Fevereiro a Maio de 2010, caracteriza-se por um estudo quantitativo do tipo experimental, composto por uma amostragem de conveniência, escolhidos aleatoriamente, onde foram envolvidos 03 voluntários do sexo masculino, com idade entre 21 e 30 anos que apresentaram Hiperidrose Primária sem nunca ter realizado tratamento anterior para essa doença.
Para seleção da amostra da pesquisa foram considerados como critérios de exclusão: pacientes com sensibilidade à corrente elétrica, apresentando lesão dermatológica, problemas cardiacos, gestantes, diabéticos ou que apresentem hipertensão descontrolada, como também ser portadora de neoplasias. Os voluntários foram esclarecidos sobre o procedimento a ser realizado através do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e com isso foi obtido o seu consentimento para realização dos procedimentos. Após o processo seletivo os pacientes foram submetidos a uma avaliação para observar as áreas mais acometidas e as que mais causam desconforto, e posteriormente responderam a um questionário de qualidade de vida adaptado de Broilo et al. (2006). Todos os pacientes após realizar a avaliação responderam ao questionário que se baseia na comparação entre o antes e o depois do tratamento, abordando pontos que envolvem convivio com seu parceiro, no ambiente de trabalho, ao realizar tarefas do dia a dia, situações em que o paciente se sente mais afetado pela HPP, além de estimular o paciente a pensar mais na sua situação buscando saber como ela se comporta diante do seu distúrbio.
Para a realização do tratamento, há necessidade de um eletrodo ativo, e um eletrodo passivo que é do tipo placa. A faixa ideal para tratamento concentra-se entre 70 a 100uA, podendo variar dependendo da sensibilidade do paciente. O protocolo utilizado constou em preparar um recipiente contendo água e mergulhar a palma da mão do paciente será posicionado um eletrodo de corrente galvânica dentro da água e o outro na região escapular do paciente, o aparelho será ativado por aproximadamente 14 minutos, invertendo a polaridade durante o procedimento. O mesmo vai ser repetido por três vezes na semana e re-avaliadas através do questionário de qualidade de vida.

 

Análise e Discussão dos Resultados

A HPP é uma doença comum e pouco compreendida, está comumente associada à hiperatividade do sistema nervoso simpático, que gera hipertrofia glandular e hipersecreção. O suor excessivo nas palmas das mãos é a situação que mais se torna inconveniente em encontros profissionais e sociais. A hiperidrose axilar é uma condição comum e angustiante, a difícil aceitação social, o desconforto da umidade constante, o odor e o fato de manchar as roupas diminuem significamente a qualidade de vida desses indivíduos (MONTESSI et al., 2007; DORNELAS et al., 2008; CARDOSO et al., 2009).
Como mostramos na tabela 1, durante a avaliação observamos que a região de mais incômodo nesses pacientes foi a região palmar que tinha como queixa principal o suor excessivo na região das mãos assim como também a umidade nas axilas. Em todos os pacientes, a HPP esteve ligada à ambientes agitados e situações em que o indivíduo se encontrava estressado em seu estado emocional.

Observamos também que o paciente 2 e o 3 tiveram o caráter de hereditariedade como um dos fatores predisponentes à HPP, como afirmamos anteriormente de acordo com o estudo de Ro et al. (2002) onde a HPP é uma desordem hereditária, outros estudos afirmam que a história familiar é positiva em 30 a 50% dos pacientes, afetando geralmente adultos jovens, manifestando-se no início da adolescência ou até mesmo na infância. (STOLMAN, 1998; DIAS, 2001; BROIOLO et al., 2006; MONTESSI et al., 2007)

Os pacientes se submeteram a um questionário de qualidade de vida antes do tratamento e após a terapia baseado no questionário adaptado de Broilo et al. (2006). Que compara com escala de (0 a 100), abordando os pontos importantes como o convívio social e profissional, convívio pessoal com seu parceiro e o emocional buscando saber como ela se porta consigo mesma e com os outros perante o problema.

Como mostra o Gráfico 01, no nosso estudo observou a melhora do paciente acompanhada pelo questionário de qualidade de vida apos realizar as 10 sessões.

Observamos através desse gráfico a melhora dos pacientes após realizar a primeira sessão. O paciente 1, submetido ao questionário, obteve o valor igual a (63), o paciente 2 (52) e o 3 (42), resultados avaliados em escala de 0 a 100 onde o resultado 20 é considerado excelente e 100 muito grave. Com a realização da terapia, após as 10 sessões foram realizadas as re-avaliações onde os mesmos obtiveram os resultados do paciente 1 (44), paciente 2 (40) e 3 (21) melhorando seus resultados em relação ao início do tratamento.

Os melhores resultados observados foram exatamente onde os pacientes mais sentiam-se incomodados, o convívio social e profissional como também o convívio pessoal tiveram grandes ganhos em relação ao início do tratamento assim demostrado também no emocional do paciente que obteve melhoras que além de sentirem mais confortáveis em relação com a hiperidrose também a uma maior segurança para que os mesmo realizem suas atividades diárias evitando assim os constragimentos causados pela HPH.

O grau de satisfação dos pacientes foi avaliado em escala de 0 a 10 onde os mesmos pontuaram de acordo com os benefícios recebidos após a realização do tratamento como mostra na figura 1. Onde podemos abservar que o tratamento foi significativo para esses pacientes, onde a avalição alcançou uma media de 8,6 entre os mesmos.

Diante do estudo realizado, foi possível observar um resultado positivo do uso da corrente galvânica no tratamento da hiperidrose primária após realizar as 10 sessões, percebendo uma melhora significativa dos pacientes e a satisfação dos mesmos com o resultado obtido.

Figura 1. Grau de Satisfação

 

Não foi observado nenhum tipo de reação adversa ao tratamento após realizar a terapia, a sensação de formigamento e a hiperemia causada pela aumento da circulação sanguinea no local do tratamento foi apenas o que se foi possível observar, não houve relato de nenhum tipo de incômodo ou sensação após tratamento por parte dos pacientes.

 

Considerações Finais

Apesar de não contar com estudos anteriores realizando tal procedimento, a área da Fisioterapia Dermato-Funcional demostrou ser uma alternativa para tratar a hiperidrose, somando assim mais um tratamento eficaz evitando a necessidade do paciente passar pela cirurgia de simpatectomia anulando o risco de passar por uma hiperidrose reflexa ou compensatoria. A Fisioterapia Dermato-Funcional abre novos caminhos para tratamentos com a corrente galvanica em pacientes com hiperidrose primaria, mas é sabido que há poucas pesquisas desenvolvidas nesta área, na abordagem da galvanizaçao em hiperidrose primaria. Por esse motivo, é restrito o material didático disponível para essa pesquisa.
O resultado obtido neste estudo apresentou-se muito satisfatório. Quanto à motivação dos pacientes no pós-tratamento, ambos declararam-se como muito realizados com os resultados. No entanto, ele não pode ser generalizado para outros casos clínicos semelhantes, apenas ajuda a divulgar experiências clínicas na nossa área, com procedimentos não invasivos, gerando hipóteses para pesquisas futuras.

 

Referências

ARAÚJO, C. A. A. Hiperidrose compensatória após simpatectomia toracoscópica: caracteristícas, incidêndia e influência na satisfação do paciente. 56p. Tese de doutorado em Ciência da Saúde pelo Programa de Pós Graduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Natal. 2008.

BAENA E. G. A utilização da corrente galvânica (eletrolifting) no tratamento do envelhecimento facial. 97p. Trabalho de conclusão de curso de fisioterapia do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Estadual do Oeste do Paraná- Campus Cascavel 2003.

BARICHELLO, A. P. C. et al. Hiperidrose vs sudorese compensatória: benefício de um tratamento ou risco de um novo problema? Rev. Assoc. Med. Bras., São Paulo, v. 53, n. 5, p.1-3, out. 2007.

BROIOLO, C. et al. Qualidade de vida em pacientes com hiperidrose primária e comparação entre duas técnicas cirúrgicas. Revista da Amrigs, Porto Alegre, v. 3, n. 50, p.205-210, 3 abr. 2006.

CARDOSO, P. O. et al. Avaliação de pacientes submetidos a tratamento cirúrgico de hiperidrose palmar quanto à qualidade de vida e ao surgimento de hiperidrose compensatória. Rev. Col. Bras., Belo Horizonte, v. 1, n. 36, p.14-18, 2009.

COLACITI, A. K. Hiperidrose: Um sintoma em busca da totalidade do individuo – Breve Relato de Caso. Revista Científica Eletrônica de Psicologia. ano IV , n. 6, Maio. 2006.

CUNHA, E. S. da et al. Intervenção fisioterapêutica no tratamento do fibroedema gelóide. Rev. Cn Fisio., 11p. Tiradentes. mar. 2007.

DIAS, L. et al. Eficácia da toxina butolínica no tratamento da hiperidrose. Rev. Neurociências. Salvador, v. 3, n. 9, p.93-96, 2001.

DORNELAS, M. T. et al. Tratamento da hiperidrose axilar com lipoaspiração. Rev. Bras. Cir. Plástica. Juiz de Fora, v. 3, n. 23, p.145-148, 2008

GUTMANN, A. Z. Fisioterapia Atual. 2. ed. São Paulo: Pancast, 1991.

LYRA, R. M. et al. Diretrizes para a prevenção, diagnóstico e tratamento da hiperidrose compensatória. J. Bras. Pneumol., São Paulo, v. 11, n. 34, p.967-977, 28 maio 2008.

MACHADO, C. M.; Eletrotermoterapia Prática. 2. ed. São Paulo: Pancast, 1991.

IBRAMED. Manual de Operação STRIAT. 3. ed. Rio de Janeiro, 2006.

MONTESSI, J. et al. Simpatectomia torácica por videotoracoscopia para tratamento da hiperidrose primária: estudo retrospectivo de 521 casos comparando diferentes níveis de ablação. Jornal de Pneumologia, Juiz de Fora, v. 33, n. 3, p.248-254, 3 jun. 2007.

RO, K. M et al. Hyperidrosis: Evidence of Genetic Transmission. J. Vasc. Surg. California. 4p. 2002.

SCHROEDER, E. M. Aparelho Eletroestimulador para tratamento estético. 40p. Trabalho de Conclusão de curso como requisito parcial a conclusão do Curso de Engenharia da Computação. Curitiba. 2008.

STOLMAN, L. P. Treatment of hyperhidrosis. Dermatol Clin. v. 4, n. 16, 7p.New Jersey.1998.


por: Alessandro Diego Delgado Machado;  Nely Dulce Varela

Nova Fisio, Revista Digital. Rio de Janeiro, Brasil, Ano 15, nº 89, Nov/Dez de 2012. http://www.novafisio.com.br


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Um comentário

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