Paralisia facial periférica: um distúrbio de instalação rápida


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 Já viu alguém no mesmo ambiente que você ficar igual a esse da foto ilustrativa? podemos estar falando da paralisia facial periférica.

Vamos conhecer primeiro um pouco do nosso sistema nervoso. Nosso corpo possui 12 pares de nervos cranianos, são eles que nascem no sistema nervoso central (cérebro) e seguem para regiões da cabeça e pescoço sem passar pela medula espinhal. Exercem funções sensitivas e motoras. A função é determinada conforme as estruturas inervadas por cada par.

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A paralisia facial periférica é um tipo de paralisia que atinge o nervo facial (7º nervo craniano), em que o paciente sofre com o enfraquecimento repentino ou paralisia dos músculos em um lado da face. Este nervo move os músculos faciais, estimula a salivação e as glândulas lacrimais, permite que os dois terços frontais da língua detectem os gostos e controla também um músculo que envolve a audição. O acometimento desse nervo resulta em paralisia completa ou parcial da mímica facial. A recuperação da lesão do nervo facial pode ocorrer em algumas semanas, até quatro anos.

A paralisia se deve a uma inflamação que se desenvolve ao redor do nervo facial, e essa inflamação comprime o nervo fazendo com que este pare de enviar sinais cérebro/músculos até que a inflamação desapareça. Ele passa por um estreito canal ósseo localizado atrás da orelha.

Causas:

Normalmente, quando acontece  uma perda de gradual de movimentos, é devido a um tumor na cabeça ou pescoço. Já no caso de uma perda repentina, podem ser: 

• Idiopática ou Paralisia de Bell, que é o tipo mais comum de paralisia facial;
• Infecção;
• Trauma na cabeça;
• Diabetes;
• Congênita;
• Mudanças bruscas de temperatura;
• Otite média;
• Baixa imunológica.

Mulheres grávidas possuem três vezes mais chances de terem a paralisia de Bell do que as não gestantes. A predisposição também é maior em pacientes que tenham diabetes, infecções advindas dos rins ou problemas genéticos.

A Paralisia de Bell (paralisia facial periférica sem causa aparente) é causada provavelmente pela reativação do herpes simples tipo 1. A paralisia de Bell é de evolução benigna, ela é percebida de repente pelo paciente ou seus familiares. A intensidade da fraqueza varia de paciente para paciente. Primeiro atinge o ápice clínico, depois fica estável em um período que dura de dias a poucas semanas e mais tarde apresenta melhora progressiva. É importante prestar atenção nos sintomas caso eles surjam, para que você trate o mais rápido possível e não haja complicações futuras.

Os principais sinais e sintomas são:

• Acontece uma fraqueza muscular em um lado do rosto, fazendo com que a hemiface fique inclinada, e quando sorri, apenas metade do seu rosto irá mover-se;
• A saliva e bebidas podem cair pelo lado afetado da boca, com isso a pessoa acaba babando;
• Muito cuidado ao mastigar os alimentos porque podem ficar presos entre os dentes, lábios e gengiva;
• Em alguns casos pode ocorrer dor de cabeça e ao redor da mandíbula;
• A pessoa fica com problemas  na fala, assoprar ou assoviar, pode não ser capaz  encher as bochechas de ar, e fazer mímica facial, não consegue também manter os olhos abertos ou fechados, levando ao ressecamento dos olhos trazendo danos à córnea;
• Tanto as orelhas como a língua podem ser afetadas, a primeira pode ficar mais sensível e barulhos podem se tornar muito estridentes enquanto a língua pode perder a sensibilidade e não mais sentir o sabor dos alimentos;
• Alguns casos a produção de lágrimas e de saliva podem ser alteradas.

Apesar de os sintomas geralmente sumirem após algum tempo, danos irreversíveis podem ocorrer ao rosto, como a contração involuntária dos músculos. Essa contração pode ocorrer, por exemplo, ao fechar o olho, a boca pode ser puxada levemente para cima como se estivesse sorrindo.

Na avaliação o fisioterapeuta pede para o paciente realizar testes de força e pede ao paciente que execute algumas funções como piscar, sorrir e franzir a testa. De modo geral, a boca entorta para o lado preservado, o olho não fecha no lado acometido, não é possível elevar a sobrancelha do lado paralisado e todas as rugas e linhas de expressão desse lado, especialmente as da testa, tendem a sumir.

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Caso o olho não feche por completo, deve ser protegido da secura para reduzir o risco de lesão ocular, devido a isso os médicos recomendam o uso de colírios compostos por lágrimas artificiais ou uma solução de sal (salina) até se conseguir fechar o olho por completo. As pessoas podem ter que usar um tampão nos olhos, principalmente durante o sono. Como não é possível piscar do lado paralisado, fechamentos manuais da pálpebra, durante todo o dia deverão ser feitos.

O médico decidirá se existe necessidade de exames e se há vantagem do tratamento com medicações.

Fisioterapia:

A fisioterapia é indispensável com o objetivo principal de restabelecer o trofismo, a força e a função muscular. E isso pode incluir a fisioterapia dermato funcional, que trabalha com a face. Devem ser utilizadas orientações verbais do fisioterapeuta para a mímica facial buscando a melhora da simetria da face. Para isso, a fisioterapia faz uso de técnicas de treinamento miofacial para hemiface afetada, para favorecer a propagação da excitação nervosa.

O exercício orientado pelo fisioterapeuta pode ser realizado em frente ao espelho para aumentar a consciência facial. Exercícios que devem começar com pouca repetição e um aumento do tempo de contração e, após alguns dias, pode-se aumentar as repetições e diminuir o tempo de contração.

Se faz uso da crioestimulação para aumentar o tônus da hemiface afetada,  utiliza-se também  a Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva.

Na crioterapia, podemos obter dois efeitos: um é o efeito analgésico e o outro é efeito estimulante. Se quisermos um efeito analgésico fazem-se movimentos circulares lentos sobre uma pequena área (ventre muscular, ponto doloroso), mas se quisermos um efeito estimulante (facilitar a atividade muscular) aplica-se o gelo de forma rápida e breve sobre o dermátomo da pele do músculo em questão.

Alguns profissionais ainda preferem utilizar a eletroestimulação para restabelecer a função muscular, mas alguns estudos relatam o risco de sincinesia, que é o movimento involuntário que ocorre num grupo de músculos por ocasião de um movimento voluntário ou de um reflexo de outra parte do corpo.

As massagens mais profundas e circulares, servem para aumentar a vascularização do tecido e promover um estímulo tátil na hemiface acometida. Quando realizada de forma mais lenta, promove um relaxamento da hemiface íntegra, já que esta, muitas vezes está sendo mais recrutada durante a mímica.

 

Quando se treina os músculos faciais com exercícios, você pode recuperar alguns dos movimentos, e tais exercícios podem também ajudar a diminuir alguns sintomas da paralisia facial, incluindo a dor .A orientação de exercícios para realização diária em casa, também é um componente essencial para que os resultados sejam visíveis o mais rapidamente possível.

Nos casos com recuperação insatisfatória é possível utilização de Botox (no lado bom), para melhorar a simetria, uma vez que o aspecto estético é a principal problema da paralisia. Há outras opções cirúrgicas como descompressão do nervo em casos graves, ainda em estudo, e a microcirurgia de transposição de nervo.



Dicas para Profissionais:
  • Liberação Miofascial - Ventosas + Instrumental+ Manual + Acessórios
  • Curso de Agulhamento a Seco (Dry Needling)
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  • Paralisia facial periférica: um distúrbio de instalação rápida Paralisia facial periférica: um distúrbio de instalação rápida Revisado por Faça Fisioterapia on 07:54:00 Nota: 5

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